A Política dos Cartéis

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ESTRUTURA DO CARTEL DA APP

O cartel é uma sistemática de trabalho psicanalítico entre analistas inventada por Jacques Lacan no que se refere ao ensino, pesquisa, cientificidade e transmissão da psicanálise.

Em 1964, no Ato de Fundação da Escola Freudiana de Paris, Lacan anunciava uma proposta inovadora e pioneira que visava promover o avanço do trabalho de cada psicanalista com os princípios teóricos e a transmissão da psicanálise.

 

“Aqueles que vierem a esta Escola se comprometerão a realizar uma tarefa submetida a um controle interno e externo: os que assim se comprometerem podem estar seguros de que nada se economizará para que tudo o que façam de valor tenha a difusão merecida no local mais conveniente. Para a execução desse trabalho adotaremos o princípio de uma elaboração sustentada dentro de um pequeno grupo: cada um deles se comporá de pelo menos três pessoas e de no máximo cinco, sendo quatro o tamanho ideal. Mais-um, encarregado da seleção, da discussão e da saída a dar ao trabalho de cada um”.

Com essas palavras Lacan anunciou à sua Escola o dispositivo do Cartel. Mais tarde, em março de 1980, apoiado na experiência adquirida através de Jornadas de Cartéis na Escola, Lacan formalizou a estrutura do cartel, num escrito intitulado D’Écolage, a partir de cinco pontos:

 

1º - Quatro se escolhem para prosseguirem um trabalho que deve ter seu produto. Dou a precisão: produto próprio a cada um, e não coletivo.(*)

2º - A conjunção dos quatro se faz em torno de um Mais-um que, sendo qualquer um, deve ser alguém. Cabe a ele o encargo de velar pelos efeitos internos da empresa e de provocar sua elaboração.

3º - Para prevenir o efeito de cola, uma permutação deve ser feita no prazo de um ano, dois no máximo. (*)

4º - Nenhum progresso é esperado senão o de uma exposição periódica a céu aberto dos exultados assim como das crises do trabalho.

5º - O sorteio assegurará a renovação regular das referências criadas com a finalidade de vetorializar o conjunto.

A estrutura do cartel propõe um tipo de laço social regulado pela lógica da incompletude que o determina com o propósito, de que em uma escola de Psicanálise predominem os efeitos de discurso sobre os efeitos de grupo.

Caracteriza-se por um grupo de quatro pessoas (mínimo três e no máximo cinco pessoas) que escolhem-se entre si para o estudo de um tema de interesse comum, que pode ser um tema teórico, histórico, técnico, clinico ou uma conexão da psicanálise.

A verdadeira verdade do discurso está na relação de identificação do sujeito ao traço unário, porquanto, é ele que introduz em última instância, para todo sujeito, o sem–sentido, o “nonsense” do real que vai ligar o sujeito à pulsão parcial.

 

O traço unário como pura diferença, é fundante do Um como hiancia, como a estrutura mesma e, é nesse ponto que está o horizonte da produção escrita do cartel.

 

o dispositivo do cartel, entre o número mínimo de 3 e o número máximo de 5, o 2+1 ou o 3+1 ou ainda o 4+1(este é o ideal) é uma operação algébrica, mas não é uma soma, o resultado não é igual a 3, 4 ou 5, justamente, porque, o Um do traço unário não é o um da união, o um que viria completar os outros dois ou três ou quatro do grupo. Ao contrário, vem para descompletá-lo, descompletar cada sujeito do grupo que ocupe o lugar do saber, cada sujeito identificado ao saber, pois, identificado ao saber, o sujeito reduz-se a puro complemento do sintoma.

O cartel é a tentativa de Lacan do grupo trabalhar, um por um, fora da hierarquia e da identificação com o líder. A pretensão do cartel é subverter a mestria, subverter tudo de universitário, pedagógico ou educativo, para fazer emergir o real da linguagem.

O cartel pode ser assim o lugar onde a singular questão de cada Um se enlaça ao coletivo para produzir um escrito próprio, desde que o mais-um sustente esse lugar, da causa, da Coisa freudiana, como um agente provocador do trabalho que presentifique o furo no saber, sem deixar cair a psicanálise mesma.

O mais-um, que deve ser membro da Escola. Cabe a ele a inscrição do cartel no “Inscreva seu cartel”

(https://forms.gle/o47RyBgtwzPP6gnd6).

O tempo de duração do cartel pode variar, mas invariavelmente o tempo é limitado. Foi o que Lacan propôs para evitar o efeito de cola imaginária entre os membros. Nada impede que um cartel seja “fulgurante”, destinado aos fins mais diversos, como a preparação de um seminário, de um congresso, da própria formação e transmissão da psicanálise etc.,  e que cada um se sirva desse dispositivo como desejar.

Breve ou não, contudo, é preciso inscrever o cartel na Escola. Essa estrutura requer alguns elementos, ainda que mínimos, para assegurar seu funcionamento: a presença do mais-um, a inscrição na Escola e o tempo limitado.

O trabalho num cartel permite uma experiência inovadora na formação do analista e na elaboração do saber que sustenta a psicanálise. Cada cartelizante, a partir do seu desejo e de sua relação com a causa analítica, traz sua questão e se põe a trabalho, apresentando um produto.

 

A lógica que rege o cartel é a falta de um saber acabado, concluído e totalizador, que vai permitir a elaboração pessoal e o vínculo particular de cada membro do cartel com a Escola, sustentado no desejo de saber e na relação com a causa analítica.

 

O cartel é um espaço que suscita o desejo de saber, sob a égide da transferência.

(*) A APP entende, seguindo a lógica de Lacan, que o número ideal é o 4+1, porém, sem que seja formatado um impedimento, para que um conhecimento seja produzido, poderá um Cartel ser formado dentro de sua estrutura, com o número mínimo de participantes, ou entre o número mínimo e o máximo de participantes, ou  com o número máximo. Bem como, que o tempo de duração do cartel pode variar, mas invariavelmente o tempo é limitado, perdurando de acordo com cada objetivo.

CARTELIZANTES 
 

São os membros do cartel. Cada cartelizante proporá uma questão singular em torno do tema comum proposto pelo cartel, seguindo o  direcionamento do proponente (+1 ou mais-um). 


Ao final do cartel, cada cartelizante comunicará aos demais participantes da Instituição o produto de seu trabalho, testemunhando com isso a transmissão analítica em ato. 

 

Os cartelizantes, embora trabalhem um tema comum, estão separados pela própria questão que cada um traz para o cartel e que demanda uma resposta igualmente singular. 

As elaborações finais do cartel podem ou não ser apresentadas no espaço da uma jornada da escola. 


Poderão se inscrever no cartel mediante solicitação à coordenação da escola, pessoas que não são membros da Escola, mas estão implicadas no discurso psicanalítico.

A FORMALIZAÇÃO

 

O grupo de estudo para ser considerado um cartel exige uma formalização. Essa é a lógica que rege o cartel. A formalização é a via que conduz os sujeitos que compõem o cartel, à produção de um saber novo, um saber sobre a ex–sistência do real, fazendo o real prevalecer sobre o fantasma, sobre a sugestão, sobre o irreal e sobre as ilusões do grupo.

 

A formalização do cartel comporta dois momentos muito precisos: o “momento de organização” e o “momento da produção”. O momento de organização do cartel implica “o sujeito do conjunto” e o momento da produção implica “o sujeito da unicidade”. É aqui que uma diferença fundamental aparece entre o sujeito no grupo de estudo e o sujeito no cartel, porque tem a ver com a posição subjetiva de cada um na sua relação com o inconsciente. No grupo de estudo o sujeito desaparece no simbólico pelo efeito imaginário do grupo. No cartel o sujeito aparece no simbólico para dirigir-se ao real, isto é, escrever.

 

No grupo de estudo o sujeito é uma presença simbólica, é efeito da demanda de amor e reconhecimento. No cartel o sujeito é uma presença real, é efeito de discurso, é um sujeito como resposta do real que implica a pulsão parcial.

 

O cartel deve torna-se uma estrutura viva, pulsátil e o seu produto, o escrito, é o que vem, em última instância, dar testemunho da vitalidade da relação do sujeito com a causa analítica.

 

Se considerarmos que a escolha dos membros entre si, constitui o Imaginário, a permutação, o Simbólico, o produto escrito, o Real e o Mais-um, o Sinthoma, podemos dizer que, a estrutura do cartel, é análoga a estrutura do Nó Borromeano. A conjunção dos membros, fazendo-se em torno do Mais-um, viria reafirmar que o Mais-um como o Sinthoma tem função de amarração da estrutura.

 

O CARTEL NO TRIPÉ DA FORMAÇÃO DO ANALISTA

 

Lacan propõe, na formação do analista, a produção de um escrito próprio que também pode ser elaborado através de um cartel.

 

  • Investimento:

1. Cartel de Formação Analítica:

R$ 75,00 por encontro (Já com o desconto especial).

 

2. Cartéis / Eventos de 1h30m:

R$ 30,00 para dois encontros - Público aberto

R$ 20,00 para dois encontros - Para Associados

 

3. Cartéis / Eventos de 3h:

R$ 40,00 para dois encontros – Público aberto

R$ 30,00 para dois encontros - Para Associados

Observações gerais:

  • Local: Sede da APP ou outro local autorizado pela APP.

  • Início do Cartel: Para ser iniciado deverá ter o total de Cartelizantes e  mediante autorização da APP.

  • Presença no Cartel:  Não ter ausência de Cartelizantes no dia do encontro do Cartel.

  • Certificado de participação nos Cartéis mediante taxa de emissão, exceto nos Cartéis de um e três asteriscos.

  • Inscrições: (86) 3850-5840