A Política dos Cartéis na Escola Lacaniana de Teresina.
A ESTRUTURA DO CARTEL
CARTÉIS EM FORMALIZAÇÃO:
O cartel é uma sistemática de trabalho psicanalítico entre analistas inventado por Jacques Lacan no que se refere ao ensino, pesquisa, cientificidade e transmissão da psicanálise.
Em 1964, no Ato de Fundação da Escola Freudiana de Paris, Lacan anunciava uma proposta inovadora e pioneira que visava promover o avanço do trabalho de cada psicanalista com os princípios teóricos e a transmissão da psicanálise.
“Aqueles que vierem a esta Escola se comprometerão a realizar uma tarefa submetida a um controle interno e externo: os que assim se comprometerem podem estar seguros de que nada se economizará para que tudo o que façam de valor tenha a difusão merecida no local mais conveniente. Para a execução desse trabalho adotaremos o princípio de uma elaboração sustentada dentro de um pequeno grupo: cada um deles se comporá de pelo menos três pessoas e de no máximo cinco, sendo quatro o tamanho ideal. Mais-um, encarregado da seleção, da discussão e da saída a dar ao trabalho de cada um”.
Participantes:
(+1) Thiago Moraes
Aline Santos Costa
Thaynara Helen
Lívia Moura
Kárita Allen
Status: Formado
Tema:
"As Estruturas Neuróticas: manifestações nos dilemas atuais"
Tema:
"As Psicoses Ordinárias e as mudanças na subjetividade e no laço social"
Participantes:
(+1) Sandrina Vérica
Rosangela S Santana
Francisca Ivonilda
Luís Eduardo
Status: Formado
Tema:
"Tecendo o Eu: A Jornada do Sujeito na Psicanálise".
Participantes:
(+1)
Cleide Maria
Manuella
Francisca Lemos
João Batista Nascimento
Status: Formado
Tema:
"A Estrutura da Sessão Analítica: O Setting e o Campo analítico".
Participantes:
(+1) Maurício Guimarães
Camila Carvalhar
Alzimar Brandão
Marina Reis
Status: Formado
Tema:
"Mitologia e Psicanálise"
Participantes:
(+1) Joelma Patrícia
Aline Guimarães da Costa
Regina Rodrigues
Bernadete Falcão
Status: Formado
Tema:
"As Resistências e as Transferências - Viés da análise"
Participantes:
(+1)
Luana Mineiro
Aristides Oliveira
Emília Rafaelly
Alzimar Brandão
Status: Formado
Tema:
"Os Feminismos na Psicanálise e a lógica machista e patriarcal"
Com essas palavras Lacan anunciou à sua Escola o dispositivo do Cartel. Mais tarde, em março de 1980, apoiado na experiência adquirida através de Jornadas de Cartéis na Escola, Lacan formalizou a estrutura do cartel, num escrito intitulado D’Écolage, a partir de cinco pontos:
1º - Quatro se escolhem para prosseguirem um trabalho que deve ter seu produto. Dou a precisão: produto próprio a cada um, e não coletivo.(*)
2º - A conjunção dos quatro se faz em torno de um Mais-um que, sendo qualquer um, deve ser alguém. Cabe a ele o encargo de velar pelos efeitos internos da empresa e de provocar sua elaboração.
3º - Para prevenir o efeito de cola, uma permutação deve ser feita no prazo de seis meses a um ano, dois no máximo. (*)
4º - Nenhum progresso é esperado senão o de uma exposição periódica a céu aberto dos exultados assim como das crises do trabalho.
5º - O sorteio assegurará a renovação regular das referências criadas com a finalidade de vetorializar o conjunto.

A estrutura do cartel propõe um tipo de laço social regulado pela lógica da incompletude que o determina com o propósito, de que em uma escola de Psicanálise predominem os efeitos de discurso sobre os efeitos de grupo.
Caracteriza-se por um grupo de quatro pessoas (mínimo três e no máximo cinco pessoas) que escolhem-se entre si para o estudo de um tema de interesse comum, que pode ser um tema teórico, histórico, técnico, clinico ou uma conexão da psicanálise.
A verdadeira verdade do discurso está na relação de identificação do sujeito ao traço unário, porquanto, é ele que introduz em última instância, para todo sujeito, o sem–sentido, o “nonsense” do real que vai ligar o sujeito à pulsão parcial.
O traço unário como pura diferença, é fundante do Um como hiancia, como a estrutura mesma e, é nesse ponto que está o horizonte da produção escrita do cartel.
o dispositivo do cartel, entre o número mínimo de 3 e o número máximo de 5, o 2+1 ou o 3+1 ou ainda o 4+1(este é o ideal) é uma operação algébrica, mas não é uma soma, o resultado não é igual a 3, 4 ou 5, justamente, porque, o Um do traço unário não é o um da união, o um que viria completar os outros dois ou três ou quatro do grupo. Ao contrário, vem para descompletá-lo, descompletar cada sujeito do grupo que ocupe o lugar do saber, cada sujeito identificado ao saber, pois, identificado ao saber, o sujeito reduz-se a puro complemento do sintoma.
O cartel é a tentativa de Lacan do grupo trabalhar, um por um, fora da hierarquia e da identificação com o líder. A pretensão do cartel é subverter a mestria, subverter tudo de universitário, pedagógico ou educativo, para fazer emergir o real da linguagem.
O cartel pode ser assim o lugar onde a singular questão de cada Um se enlaça ao coletivo para produzir um escrito próprio, desde que o mais-um sustente esse lugar, da causa, da Coisa freudiana, como um agente provocador do trabalho que presentifique o furo no saber, sem deixar cair a psicanálise mesma.
O mais-um, que deve ser membro da Escola. Cabe a ele a inscrição do cartel no “Inscreva seu cartel”
(https://forms.gle/o47RyBgtwzPP6gnd6).
O trabalho num cartel permite uma experiência inovadora na formação do analista e na elaboração do saber que sustenta a psicanálise. Cada cartelizante, a partir do seu desejo e de sua relação com a causa analítica, traz sua questão e se põe a trabalho, apresentando um produto.
A lógica que rege o cartel é a falta de um saber acabado, concluído e totalizador, que vai permitir a elaboração pessoal e o vínculo particular de cada membro do cartel com a Escola, sustentado no desejo de saber e na relação com a causa analítica.
O cartel é um espaço que suscita o desejo de saber, sob a égide da transferência.
(*) A APP entende, seguindo a lógica de Lacan, que o número ideal é o 4+1, porém, sem que seja formatado um impedimento, para que um conhecimento seja produzido, poderá um Cartel ser formado dentro de sua estrutura, com o número mínimo de participantes, ou entre o número mínimo e o máximo de participantes, ou com o número máximo. Bem como, que o tempo de duração do cartel pode variar, mas invariavelmente o tempo é limitado, perdurando de acordo com cada objetivo.
CARTELIZANTES
São os membros do cartel. Cada cartelizante proporá uma questão singular em torno do tema comum proposto pelo cartel, seguindo o direcionamento do proponente (+1 ou mais-um).
Ao final do cartel, cada cartelizante comunicará aos demais participantes da Instituição o produto de seu trabalho, testemunhando com isso a transmissão analítica em ato.
Os cartelizantes, embora trabalhem um tema comum, estão separados pela própria questão que cada um traz para o cartel e que demanda uma resposta igualmente singular.
As elaborações finais do cartel podem ou não ser apresentadas no espaço da uma jornada da escola.
Poderão se inscrever no cartel mediante solicitação à coordenação da escola, pessoas que não são membros da Escola, mas estão implicadas no discurso psicanalítico.
A FORMALIZAÇÃO
O grupo de estudo para ser considerado um cartel exige uma formalização. Essa é a lógica que rege o cartel. A formalização é a via que conduz os sujeitos que compõem o cartel, à produção de um saber novo, um saber sobre a ex–sistência do real, fazendo o real prevalecer sobre o fantasma, sobre a sugestão, sobre o irreal e sobre as ilusões do grupo.
A formalização do cartel comporta dois momentos muito precisos: o “momento de organização” e o “momento da produção”. O momento de organização do cartel implica “o sujeito do conjunto” e o momento da produção implica “o sujeito da unicidade”. É aqui que uma diferença fundamental aparece entre o sujeito no grupo de estudo e o sujeito no cartel, porque tem a ver com a posição subjetiva de cada um na sua relação com o inconsciente. No grupo de estudo o sujeito desaparece no simbólico pelo efeito imaginário do grupo. No cartel o sujeito aparece no simbólico para dirigir-se ao real, isto é, escrever.
No grupo de estudo o sujeito é uma presença simbólica, é efeito da demanda de amor e reconhecimento. No cartel o sujeito é uma presença real, é efeito de discurso, é um sujeito como resposta do real que implica a pulsão parcial.
O cartel deve torna-se uma estrutura viva, pulsátil e o seu produto, o escrito, é o que vem, em última instância, dar testemunho da vitalidade da relação do sujeito com a causa analítica.
Se considerarmos que a escolha dos membros entre si, constitui o Imaginário, a permutação, o Simbólico, o produto escrito, o Real e o Mais-um, o Sinthoma, podemos dizer que, a estrutura do cartel, é análoga a estrutura do Nó Borromeano. A conjunção dos membros, fazendo-se em torno do Mais-um, viria reafirmar que o Mais-um como o Sinthoma tem função de amarração da estrutura.
O tempo de duração do cartel pode variar, mas invariavelmente o tempo é limitado. Foi o que Lacan propôs para evitar o efeito de cola imaginária entre os membros. Nada impede que um cartel seja “fulgurante”, destinado aos fins mais diversos, como a preparação de um seminário, de um congresso, da própria formação e transmissão da psicanálise etc., e que cada um se sirva desse dispositivo como desejar. Um Cartel é "extinto" quando algum membro, principalmente se o "Quatro" foi "quebrado". Um Cartel é dissolvido quando concluí suas atividades e o + 1 entrega a produção do Cartel para a Escola.
Breve ou não, contudo, é preciso inscrever o cartel na Escola. Essa estrutura requer alguns elementos, ainda que mínimos, para assegurar seu funcionamento: a presença do mais-um, a inscrição na Escola e o tempo limitado.
A visão do Lacan é que se um dos membros sai, o cartel, tal como foi constituído, se dissolve, pois a troca de alguém altera o "enodamento" (o laço) dos participantes. Em resumo, quando membros saem, o cartel cumpriu seu ciclo de produção, desfazendo-se para que a "transferência de trabalho" não se torne uma "transferência de pessoa" ou um laço burocrático.
Todos os cartéis podem ser declarados no site para que possamos tanto saber os temas que estão sendo estudados, como também utilizá-los para agregar nossa própria investigação. É esperado de cada participante do cartel um produto final, individual, que poderá ser endereçado à Escola.
Informações importantes:
O cartel pode ser composto por psicanalistas, pessoas que estejam fazendo a formação em psicanálise, analisantes e interessados nessa práxis. O objetivo é promover leituras e discussões que colaborem no aprofundamento conceitual e clínico da psicanálise e sua relação com outros saberes, além de ser um dispositivo de apoio para a pesquisa individual em suas articulações com ês cartelizantes e a comunidade. Você não precisa ser estudante da APP para participar de um cartel ou propor algum tema. Na APP o cartel funciona como uma porta giratória, que coloca em jogo os interesses de pesquisa para além dessa instituição.
As inscrições para formação de cartel podem ser realizadas a qualquer momento junto a APP, aberto a receber novas propostas de trabalho.
Será de responsabilidade dos membros do cartel a organização do trabalho quanto à periodicidade, a forma (virtual e/ou presencial) e a plataforma/local dos encontros.
Ao final de um ano os cartéis poderão ser dissolvidos ou estendidos por mais um ano (observando o formato do Cartél). Na dissolução, um produto individual que se decantou dessa experiência deverá ser compartilhado entre os cartelizantes e endereçado, a posteriori, para a Escola formadora e comunidade da APP.
Pontos Chave para a Formalização (O que não pode faltar):
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A "Justa Medida" (4+1): É composto por 3 a 5 pessoas, mas 4 + 1 é o modelo clássico, onde "1" é o Mais-Um.
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O Mais-Um (+1): Não é um professor ou líder, mas alguém que providencia a rotatividade e garante que o cartel não se torne um grupo de estudos comum (homogêneo).
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O Tema e a Questão Individual: Não basta o grupo estudar o mesmo tema. Cada membro deve ter seu próprio recorte de pesquisa (questão).
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O Produto (Cartelizante-produto): O cartel tem duração limitada e visa a produção de um texto ou trabalho individual de cada membro ao final.
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A dissolução do Cartel. Ocorre quando o "prazo" do Cartel foi cumprido com a entrega do produto do Cartel.
O CARTEL NO TRIPÉ DA FORMAÇÃO DO ANALISTA
Lacan propõe, na formação do analista, a produção de um escrito próprio que também pode ser elaborado através de um cartel.
Investimento para o Cartel de Formação Permanente em Lacan:
1. Cartel de Formação Analítica - A ser definido.
Observações gerais:
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Local: Sede da APP ou outro local autorizado pela APP.
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Início do Cartel: Para ser iniciado deverá ter o total de Cartelizantes e mediante autorização da APP.
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Presença no Cartel: Não ter ausência de Cartelizantes no dia do encontro do Cartel.
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Mais informações: (86) 98842-0542 (whaysapp)
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Inscrições:
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