I JORNADA DE PSICANÁLISE DA ESCOLA FREUDIANA DE PSICANÁLISE
- SEÇÃO TERESINA -

A ANGÚSTIA

30 de novembro de 2019

Local: Real Palace  Hotel

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APRESENTAÇÃO:

“A angústia”

     A  Jornada da Escola Freudiana de Psicanálise de Teresina (EFP) se propõe a trabalhar, no dia 30 de novembro de 2019, a angústia. Este tema assenta sua pertinência nos desafios que a contemporaneidade impõe à clínica psicanalítica.  Entretanto, desde Freud a angústia tem servido de norteador tanto estratégico quanto epistemológico em psicanálise. Segundo Freud, “Angústia é algo que se sente” e, conforme destaca Lacan, “A angústia é o afeto que não engana”. Por outro lado, é oportuno destacar que Lacan situa a função indicativa da angústia e aquilo a que ela nos permite ter acesso, instigando-nos a pensar o que virá substituir o desejo do analista e o manejo da transferência nos momentos finais de seu ensino.

Desse modo, a temática aqui proposta é uma questão atual para a psicanálise e nos coloca algumas inquietações:  interrogar:

 

1) qual o estatuto e o tratamento da angústia, na neurose, na psicose e na perversão?;

2) qual o estatuto do ato analítico, em seus efeitos, nos estados de angústia?;

3) existe alguma relação entre a angústia e a formação do analista?

 

Desse modo, na intenção de fazer circular a palavra e promover novos saberes em torno do tema é que convidamos a comunidade analítica e demais interessados a participarem conosco da I Jornada da Escola Freudiana de Psicanálise de Teresina.

 

Na ocasião, teremos como conferencista a psicanalista Lia Carneiro da Silveira, membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano (Fórum Fortaleza) e professora da Universidade Estadual do Ceará.

 

                      Cássio Eduardo Soares Miranda – Coordenador da I Jornada da EFP

ARGUMENTO

 

Em Inibição, sintoma e angústia (1926), Freud concebe a angústia como sinal de um perigo, sinal que se produz ao nível do eu, uma forma de limitação imposta ao eu, para se proteger de algo que chama de perigo vital. No adendo B do texto citado (1926), Freud distingue dois tipos de angústia: a neurótica e a realística. A angústia realística teria como característica o fato de o perigo ser conhecido, enquanto que, na angústia neurótica, o perigo seria pulsional e desconhecido. Diante de uma ameaça real - neste contexto real é sinônimo de conhecido -  existem duas formas possíveis de reação: a irrupção do afeto ou angústia e uma ação que seria protetora. Ambas podem associar-se de forma apropriada, conjugando sinal e ação protetora, ou podem aparecer de forma inadequada a evitação do perigo. As angústias realística e neurótica, neste caso, estariam associadas de tal forma que, mesmo que o perigo fosse conhecido e real, a angústia se mostraria excessiva.

O tema da angústia em Freud passou por vários momentos de modificações conceituais, mas não nos deteremos nelas aqui. Entretanto, um destaque à um anúncio de   Freud nesse mesmo texto, em uma frase que parece marcar bem do que se trata na angústia: "Sempre que há angústia, há algo que a provoca" (n.6). Assim, passa a considerar a angústia como um sinal provocado pelo eu. Se antes ele dizia que a angústia não estava ligada diretamente ao eu, na segunda teoria, a angústia está totalmente ligada à sua função, ou seja, é desencadeada pelo eu. Podemos constatar que a natureza do perigo ainda era um enigma para Freud, que buscou durante muitos anos, desde suas primeiras formulações sobre o tema, esse algo que a provocava. Freud diz: “a análise revela que o perigo real conhecido se acha ligado a um perigo pulsional desconhecido” (FREUD, 126/1976, p. 191). E para esse autor, se buscarmos o significado de uma situação de perigo, o que se percebe é que o sujeito reconhece sua desvantagem frente à magnitude do perigo que ele se encontra em desamparo em face desse perigo. Esse desamparo poderá ser físico, se o perigo for real, e psíquico, se for pulsional.

Uma observação importante nesse texto é o fato de a angústia, real ou neurótica, ser causada por um perigo externo, fato percebido e explorado por Jacques Lacan em seu seminário sobre o tema. Para Lacan, a angústia é um sinal do real. De todos os sinais, é aquele que não engana. Sinal da maneira irredutível que o real se apresenta na experiência. Lacan marca a contradição de Freud ao julgar a angústia sem objeto determinado e, ao mesmo tempo, assinalar seu aparecimento diante de qualquer coisa. Porém, na parte três de “Inibição, Sintoma e Angústia” encontramos:“ angústia é angústia diante de alguma coisa”, como já assinalamos no início deste trabalho. Agora poderíamos pensar se não estaria Freud já antecipando o que Lacan iria mais tarde desenvolver, ou seja, que a angústia não é sem objeto.

Conforme destaca Jacques Lacan, “A angústia (...) está ligada a tudo o que pode aparecer no lugar (-φ). (...) Esse fenômeno é o da Unheimlichkeit”. Talvez seja em função disso mesmo que se diz que a angústia é um afeto que não engana. O que quer dizer que é o confronto direto do sujeito com o objeto, sem velamentos. É o confronto direto com esse lugar em que nada falta, que aparece como Coisa, grandiosa, desmedida, sem contornos, como uma espécie de “certeza assustadora”7.

Tais elementos minimamente apontados acima são suficientes para justificar uma jornada em torno dessa temática. Todavia, as novas formas de configuração do sintoma na clínica psicanalítica contemporânea, as neo-inibições e a queixa constante de uma angústia que não cessa por parte de muitos pacientes também justificam a temática de nossa jornada, bem como instigam-nos a levantarmos discussões norteadas pela clínica psicanalítica e também naquilo que toca ao psicanalista.

 

PERSPECTIVAS DO TEMA

- Angústia e estruturas clínicas

- Angústia e contemporaneidade

- A angústia e a formação do analista

- A angústia e os novos sintomas

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

S. Freud

Freud, S. (1976). Além do princípio de prazer. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 18). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1920).

Freud, S. (1976). Análise de uma fobia em um menino de cinco anos. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 10). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1909). 

      

Freud, S. (1976). O estranho. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 17). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1919).

Freud, S. (1976). Inibições, sintomas e ansiedade. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 20). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1926).      

Freud, S. (1976). A organização genital infantil: uma interpolação na teoria da sexualidade. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 19). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1923).

Freud, S. (1976). As pulsões e seus destinos. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 14). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1915a).       

 

J. Lacan

Lacan, J. (1995). O seminário, livro 4: a relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1956/1957)    

   

Lacan, J. (1988). O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1964)        

Lacan, J. (2005). O seminário, livro 10: a angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. (Trabalho original publicado em 1962/1963)        

 

Outros psicanalistas

Castaned, Didier. Os corpos contemporâneos. In: Stylus. Revista de Psicanálise, n.20, abril de 2010, p.53-75.

 

Harari, R. (1997). O seminário - A angústia de Lacan: uma introdução. Porto Alegre: Artes e Ofícios.

 

Soler, C. Declinações da Angústia. São Paulo: Escuta, 2012.

INSCRIÇÕES

 

As inscrições poderão ser realizadas pessoalmente na secretaria da Escola Freudiana de Teresina, situada à Rua Lisandro Nogueira, 1625, Sala 14, Edifício Susana Center, Centro, Teresina/PI, ou pelo site www.escolafreudianadeteresina.com.br, preenchendo a Ficha de inscrição ONLINE. O pagamento das inscrições poderá ser feito pessoalmente na secretaria da Escola Freudiana ou via depósito/transferência bancária para a conta corrente em nome de ASSOCIAÇÃO PIAUIENSE DE PSICANÁLISE - Ag. 2004 / Op. 003 / C/C: 5758 / Digito. 6 / CNPJ: 30.322.719/0001-00 / Caixa Econômica Federal.  O comprovante de depósito/transferência, bem como a ficha de inscrição deverão ser enviadas para o seguinte e-mail eventosefpt@gmail.com

VALOR DA INSCRIÇÃO

 

Até 30/10/2019

      - Profissionais – 60,00

      - Estudantes – 30,00

 

Até 15/11/2019

        - Profissionais – 70,00

        - Estudantes – 35,00

 

Até 28/11/2019

        - Profissionais – 80,00

        - Estudantes – 40,00

 

No dia 30/11

- Profissionais – 100,00

- Estudantes – 50,00

ENVIO DE TRABALHOS

  • Os textos devem ter, no máximo, 6500 caracteres (com espaços) e escritos em letra tipo Times New Roman 12, espaço 1,5. No cabeçalho do texto deve ser indicada a Perspectiva do tema em que se inclui o trabalho.

  • Os textos devem ser enviados em formato Word, colocando como assunto: Jornadas EFP 2019 e nome do autor.

  • Enviar para: Lázaro Tavares através do e-mail: escolafreudianadeteresina@gmail.com

  • O trabalho só será avaliado e aceito se o autor estiver devidamente inscrito no momento de seu envio.

  • Os trabalhos deverão ser enviados até o dia 30/10/2019. NOTA: Data PRORROGADA até 15/11/2019

COMISSÕES ORGANIZADORAS

  1. Organização geral – Cássio Eduardo Soares Miranda e Lázaro Tavares

  2. Comissão de secretaria, infraestrutura e acolhimento – Ana Karla Rodrigues S. Vieira, Ana Kaline da S. Barbosa, Ana Cléa M. de Lima Rodrigues.

  3. Comissão de divulgação e patrocínio - Augusto César de Sobral Silva, Lisbeth Pereira Gonçalves, Blenda Aline Marques de Albuquerque

  4. Comissão científica – Lázaro Tavares

  5. Comissão de orientação – Cássio Eduardo Soares Miranda

PROGRAMAÇÃO PRÉVIA

08h30 – 09h00: Abertura

Cássio Eduardo Soares Miranda e Lázaro Tavares

09h10 – 10h30; Conferência de abertura

“Angústia: o afeto que não engana” - Lia Carneiro da Silveira

10h45 – 12h15 - Plenária I –

 

12h15 – 1415 - Almoço

14h15 – 16h15 - Plenária II –

 

16h15 – 16h40 - Café

 

16h40 – 18h40 - Conferência de encerramento

“A incidência da angústia na formação e o lugar do desejo do analista”– Lia Carneiro da Silveira

 

18h40 - Encerramento